quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Multas nas marginais da Raposo crescem 51,9% com o novo limite de velocidade


8.976 pessoas foram flagradas e autuadas por dirigir acima do permitido, que é de 70 km/h desde a mudança


O número de motoristas autuados nas marginais da rodovia Raposo Tavares (SP-270) - desde que começou a valer, no dia 24 de setembro, o novo limite de velocidade fixado em 70 km/h para o tráfego que corta o trecho urbano de Sorocaba - cresceu 51,9%. O limite anterior era de 60 km/h. De acordo com dados da Polícia Rodoviária, em 48 dias, ou seja, desde o início de operação do novo limite de velocidade até o dia 9 de novembro, 8.976 pessoas foram flagradas e autuadas por dirigir acima do permitido, enquanto que no mesmo período de dias antes da entrada em vigor dessa nova regra de tráfego, o número foi de 5.908.

A mudança realizada pela Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e informada oficialmente no dia 13 de setembro atende o pedido da Polícia Militar Rodoviária, cujas estatísticas apontavam um número crescente de multas por conta do excesso de velocidade. Ainda de acordo com a corporação, um levantamento realizado apontava que, apenas nos primeiros meses de 2011, quando o limite era de 60 km/h, os radares naquele acesso fizeram média de 165 autuações diárias. 

Os radares móveis ficam instalados nas marginais da Raposo Tavares, entre os quilômetros 95 e 105. Segundo a Polícia Rodoviária, os dados são encaminhados ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de São Paulo para a elaboração das multas aos motoristas infratores. O uso do radar na marginal da Raposo Tavares está de acordo com as normatizações do Código de Trânsito Brasileiro e a resolução número 146/2003 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Ou seja, a colocação do equipamento é feita em locais com estudo técnico, além de haver sinalização com a velocidade máxima permitida e aviso da fiscalização.

De acordo com a concessionária CCR/Viaoeste, foi o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) quem fixou os 60 km/h e a mudança ocorreu após consulta do município ao órgão. "Isto se deu em razão de um pleito do município que foi submetido para o DER-SP que realizou um estudo avaliando a geometria horizontal e vertical das pistas, acessos, velocidade média praticada pelos motoristas e volume de entrelaçamentos. Com isso, foi admitido por meio de publicação em Diário Oficial que a rodovia passaria a ter novo limite de velocidade, de 60 para 70 km/h. A partir daí, foram modificadas as velocidades e veiculadas informações educativas sobre a necessidade do motorista respeitar o limite imposto na via. São veiculadas informações educativas por meio de faixas, nos painéis e distribuição de folhetos nas seções dos pedágios. Este é o nosso papel", explicou o coordenador de Interação com o Cliente da concessionária, Fausto Camilotti, que concluiu: "O processo de fiscalização de velocidade por meio de radares, fixos, estáticos e até móveis é de competência do policiamento rodoviário e DER-SP."

A reportagem manteve contato desde o último dia 9 (sexta-feira) com o comando responsável pelo policiamento rodoviário no trecho urbano da Raposo Tavares em Sorocaba para que fosse feita uma análise dos números de autuações divulgados pela própria corporação a pedido do Cruzeiro do Sul, mas não houve retorno.

Polêmica que se arrasta

A questão envolvendo o limite de velocidade nas marginais da Raposo Tavares ainda divide opiniões. Conforme os usuários ouvidos pela reportagem à época, ou seja, antes da mudança para 70 km/h, o "absurdo" de ter de rodar a 60 por hora ficava maior se comparado ao fato de que, na Marginal do rio Sorocaba a permissão já era de 70 quilômetros por hora. Alguns motoristas que utilizam diariamente o trecho ainda defendem que o limite poderia ser maior, chegando aos 80 quilômetros por hora, principalmente por conta do fluxo nos horários de pico, registrado às 8h e às 17h.

"O aumento para 70 km/h foi uma medida boa, mas não a ideal, no meu ponto de vista. Por isso, eu imagino, que muitos motoristas acabam infringindo o limite atual, o que não justifica", opinou o comerciante José de Souza, de 52 anos. Silvana Santos Albuquerque, de 29 anos, também acha pouco esse limite pelos mesmos motivos. "Acho que é pouco, uns 80 já seriam bom", opina.

Há também aqueles que trafegam frequentemente pelas marginais da rodovia e aprovam a mudança da velocidade. "Era quase impossível andar a 60. O limite de 70 quilômetros por hora melhorou bem. Afinal, é uma via marginal e não uma rodovia expressa. Se existe uma regulamentação na qual estipula um limite de velocidade, o motorista deve respeitar, seja qual foi esse limite. Isso é fato", resumiu o aposentado Marco Antonio Bezerra, de 60 anos.

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