Uma combinação de perplexidade, tristeza e dor tomou conta dos moradores de Sarapuí, na região de Sorocaba, por conta do acidente que matou oito pessoas na noite de quinta-feira no quilômetro 127 da rodovia Raposo Tavares. O velório no Ginásio Municipal atraiu três mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, e esse número é correspondente a um terço da população de 9.121 habitantes em 2011 registrados pelo IBGE. Todos os mortos ocupavam uma ambulância que ficou desgovernada e bateu em uma árvore. O veículo tinha carga excessiva de três pessoas, pois sua capacidade era para cinco.
As vítimas faziam parte da rotina de moradores de Sarapuí que são transportados pela Prefeitura até o Hospital Regional de Sorocaba para consultas e tratamentos de saúde. Na hora do acidente, eles retornavam para Sarapuí depois de terem passado o dia em Sorocaba. Morreram na tragédia o motorista da ambulância, Angelo Gabriel de Oliveira; o garotinho Ryan Giovani Barroso, de 2 anos, e sua mãe Cleuza Aparecida Barroso, de 41 anos; Maria Cristina Gabriel Queiroz, de 45 anos, e seu irmão João Luiz Gabriel, de 54 anos; Rosélia Alves da Silva Corrêa, de 47 anos e sua mãe, Maria Mercês da Silva, de 66 anos; além da enfermeira Ana Paula Cândido da Cruz.
Sete caixões chegaram ao Ginásio Municipal às 16h15 de ontem. O outro caixão, com o corpo de Ana Paula, foi levado ao Velório Municipal, ao lado do ginásio. Os sete caixões foram recebidos pela multidão, que abriu passagem, com a ajuda de quatro policiais militares, para os carros entrarem no Ginásio Municipal. O primeiro caixão a ser levado ao salão do ginásio foi o de Ryan. Os momentos de despedida dos familiares e amigos das vítimas, em torno de cada caixão, foram comoventes. Lágrimas, abraços, orações e outros recursos aos signos religiosos para suportar a dimensão das perdas. "Isso vai chocar o Brasil inteiro", disse Cristiano Wellington Sodré da Silva, de 23 anos, primo de Ângelo.
"Não dá para entender", afirmou o motorista João Carlos Rodrigues, de 53 anos, da Câmara Municipal. O pedreiro Manoel Leandro Neto, de 63 anos, garantiu que Angelo "era atencioso, não existia melhor" motorista. No fim da tarde foram sepultados Angelo e João Luiz Gabriel. O sepultamento de Angelo foi acompanhado por centenas de pessoas. No cemitério, o caixão foi aberto mais uma vez para as últimas despedidas. Pessoas rezaram um Pai Nosso e duas Aves Marias. Ele foi aplaudido. Os outros mortos serão sepultados hoje, entre 9h e 10h.
Mais violência
Nem mesmo num cenário de dor a violência da trégua. No momento em que chegaram os caixões ao ginásio, os policiais militares que estavam ali precisaram se retirar para atender uma ocorrência de assalto. Três homens acabavam de roubar um motorista da empresa Panco, distribuidora de produtos alimentícios, na rua Nossa Senhora das Dores, em frente a uma agência do Banco do Brasil.
Segundo a polícia, eles roubaram R$ 1.990,00 do motorista e fugiram com destino a Capela do Alto. Na estrada que liga Capela à Raposo Tavares, cruzaram com a viatura ocupada pelo tenente Turri e o soldado Hugo, que passaram a perseguir o carro dos acusados. Na abordagem, os acusados se renderam. Segundo a polícia, os bandidos foram identificados como Robson Martins Ferreira, Maicon Renato Alves da Silva e Fábio José Nunes da Silva. Foram levados à delegacia de Sarapuí.
Enquanto havia grande movimento no Ginásio Municipal, simultaneamente a ocorrência do roubo também provocou grande entra-e-sai de policiais civis e militares na delegacia.
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