domingo, 4 de setembro de 2011

Governo tem que fazer mais com seus recursos, diz Dilma



Ela defende a ampliação das fontes de financiamento para atender demanda
A presidente Dilma Rousseff admitiu ontem que o governo terá de "fazer ainda mais" com os recursos que tem para a área da Saúde e, ao mesmo tempo, ampliar suas fontes de financiamento para atender à crescente classe média, que virou consumidora e vai exigir cada vez mais serviços de qualidade, durante cerimônia de entrega de 110 novos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) ao Hospital Universitário de Canoas (RS).

"Eu acredito que temos um trabalho de gestão muito grande a fazer na saúde, mas também tenho a clareza de que o Brasil inexoravelmente terá que destinar mais recursos para a saúde pública. Independe do que este ou aquele setor pensa. Quem vai exigir isso com muita clareza é aquela mãe, aquele pai que tem seu filho, usa o SUS e saiu da pobreza para a classe média. Estarei ao lado dele exigindo isto todos os dias na minha gestão", afirmou.

O discurso não fez referências diretas aos debates sobre o momento na área da saúde, como a regulamentação da Emenda 29, que fixa obrigações de investimentos para a União e unidades da federação ou a criação de um nova contribuição nos moldes da extinta CPMF. Quem se encarregou de apresentar algumas teses aos jornalistas, depois da cerimônia, foi o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ele afirmou que os recursos adicionais para a Saúde podem sair da destinação de parte da arrecadação de impostos sobre cigarros, aumentada recentemente, bebidas alcoólicas e do DPVAT de motocicletas e automóveis.

Padilha sustentou que o governo cumpre a Emenda 29 desde 2003, destinando para a Saúde um aumento que considera a variação do Produto Interno Bruto (PIB) e mais a inflação do período a cada novo Orçamento. Mostrou-se contrário, no entanto, à fórmula proposta pelo texto em discussão no Congresso porque retira R$ 6 bilhões da área por exigir que os Estados gastem 12% sobre 80% de suas receitas e não sobre 100%.

Em outro momento de sua viagem ao Sul, Dilma conviveu com um protesto de servidores públicos no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Enquanto a presidente discursava para autoridades e agropecuaristas na abertura oficial da 34ª Expointer, um grupo de cerca de cem pessoas gritava palavras de ordem e assoprava cornetas ao lado da pista de desfiles de animais, a 80 metros do pavilhão. Entre os manifestantes estavam policiais civis que pedem um piso salarial nacional para a categoria e funcionários de universidades federais em greve por aumento salarial. O barulho do protesto foi ouvido várias vezes no palanque das autoridades, mas Dilma não fez referência a eles durante seu pronunciamento. (Elder Ogliari/AE)

Nenhum comentário:

Postar um comentário